O ritmo
O que será afinal esse tal de ritmo da cena?
“ RÍTMO. s.m. 1. Movimento ou ruído que se repete, no tempo, a intervalos regulares, com acentos fortes e fracos. 2. No caso de qualquer processo, variação que ocorre periodicamente de forma regular.” Como esse significado se insere nela?
Ritmo pode ser referido como um elemento de “nuances” da ação, de variação de intensidade de movimento / intenção / emoção (ritmo externo x interno). E essa variação ajuda a tornar a cena mais interessante para o público, pois algo linear ( como fala monocórdia, movimentação uniforme) geralmente cansa mais rápido o espectador, é utilizada como uma mola que o leva a ficar atento às variações e consequentemente a todo o desenrolar da ação. Pode ser mudanças de velocidade da movimento externo e/ou interno (emoção); uma ação física crescente ou decrescente; mudança (brusca ou não) de idéia do personagem durante a ação, variação rítmica da fala/voz.
Mas também é curioso notar que ritmo pode ser visto como algo aparentemente contrário a primeira referência feita acima: pode estar relacionado a uma certa unidade da cena, ao conjunto de variações que formam essa unidade, a sua atmosfera, digamos assim, e que se por algum descuido ou erro for quebrado pode dificultar o entendimento. Por exemplo, quando durante uma cena onde se instaura (necessariamente) um clima de tensão, e em um dos atores não se verifica o movimento interno que ela pede, pode-se dizer que há uma quebra no ritmo geral da cena.
Durante a realização de algumas de minha cenas em aula, a intenção estava clara, a relação entre os personagens bem instaurada...estava boa até...no entanto faltavam-lhe o ritmo.. faltou-lhe variações ou movimento interno? Creio que variações... Tenho prestado bastante atenção agora sobre a movimentação durante a cena, movimentação do ator, da ação, da emoção, ou, seja, uma certa musicalidade do espetáculo. Na peça “O Inspetor geral”, realizada pelo 4º ano,um exemplo muito bom de cena com todos esses elementos de ritmo é a do criado do “inspetor” arrumando sua cama e demonstrando sua insatisfação e fome: nela o ator variava entre os planos alto e baixo, variava entre momentos cômicos e chorosos, entre sonho e realidade (esperança e desesperança), entre diferentes tons de voz, e essas variações deram uma vida à cena, causando prazer ao ser vista.
Há de ser uma inspiração.
23/06/2010
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