sábado, 16 de outubro de 2010

Dramaturguia

Durante minha cena com Claucio ocorreram duas coisas importantes, uma relacionada a descoberta interior do personagem, outra com relação a estrutura da cena.

Ao interagir com o personagem dele houve uma inversão de valores entre eles, tanto a descoberta de uma forca interior e coragem do meu, quanto uma fragilidade no dele (valores que aparentemente não existiam). E senti que isso os coloriu de vida, foi para mim o primeiro momento em que a senti total e verdadeiramente, seu medo, sua historia, sua coragem. Eu, a atriz, me emocionei muito ao vê-lo (o personagem do Claucio)  desmoronar de uma suposta rudeza inabalável, e a personagem criada por mim, Alice, também se emocionou ao vivenciar a doença a partir da reacao do outro, para dai sentir a primeira faisca de coragem em assumir sua situação. (Descobertas em via de mão dupla e concomitantemente!)

A estrutura dramaturgica criada pelo Claucio foi o impulso para a qualidade da cena. A maneira em que foram dispostos os fatos contribuíram para que o objetivo fosse a acao dos personagens e não sua demonstração psicológica. Ao coloca-los em estado de atenção para a acao (o exterior | visível) podemos (eu e o Claucio) experimentar as reacoes (adaptacoes) deles perante os problemas | conflitos e consequentemente para senti-los mais vivos, tornando-os seres VIVENTES, DOTADOS DE ACOES, enfim, TEATRAIS.

                                               Processo de criação - Improvisação a palavra 1

                                                                              25\ 05\ 2010      


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A respiração.

    A respiração tem funções em cena que vão além de manter a energia das células, nos mantendo em atividade e de auxiliar na produção e qualidade de som da voz. Ela pode auxiliar o ator na intenção sentida (para o ator) e transmitida (para o público) de um determinado movimento, como um estímulo para esse: há diferença entre realizar um determinado movimento/ação expirando ou inspirando, que pode diferenciar um estado de maior relaxamento ou tensão, de sentimento liberado ou contido, de uma imagem de leveza ou rudeza.
Auxiliando o ator em sua própria percepção, sensibilizando-o para a partir daí alcançar o público. A maior consciência disso ocorreu-me durante o exercício da estátua, onde observando o meu colega realizar a sua sequência de movimentos (que tinham que ser femininos) notei que por mais leve que ele fizesse certo movimento,havia muita de sua masculinidade no movimento; então ao fazê-lo inspirar quando parado, movimentando-se expirando chegou-se a uma verdadeira leveza; e na minha movimentação que intercalava momentos de tédio e ansiedade, onde eu expirava quando em tédio e inspirava quando em ansiedade, e realmente isso me ajudava a compreender a “cor” do movimento.
    Claro que não há regras, nem uma única possibilidade, mas é importante percebê-la, para que se possa depois experimentar as outras possibilidades/ intenções/ cores que podem ter um mesmo movimento.