sexta-feira, 17 de dezembro de 2010


O ritmo

O que será afinal esse tal de ritmo da cena?
RÍTMO. s.m. 1. Movimento ou ruído que se repete, no tempo, a intervalos regulares, com acentos fortes e fracos. 2. No caso de qualquer processo, variação que ocorre periodicamente de forma regular.” Como esse significado se insere nela?
Ritmo pode ser referido como um elemento de “nuances” da ação, de variação de intensidade de movimento / intenção / emoção (ritmo externo x interno). E essa variação ajuda a tornar a cena mais interessante para o público, pois algo linear ( como fala monocórdia, movimentação uniforme) geralmente cansa mais rápido o espectador, é utilizada como uma mola que o leva a ficar atento às variações e consequentemente a todo o desenrolar da ação. Pode ser mudanças de velocidade da movimento externo e/ou interno (emoção); uma ação física crescente ou decrescente; mudança (brusca ou não) de idéia do personagem durante a ação, variação rítmica da fala/voz.
Mas também é curioso notar que ritmo pode ser visto como algo aparentemente contrário a primeira referência feita acima: pode estar relacionado a uma certa unidade da cena, ao conjunto de variações que formam essa unidade, a sua atmosfera, digamos assim, e que se por algum descuido ou erro for quebrado pode dificultar o entendimento. Por exemplo, quando durante uma cena onde se instaura (necessariamente) um clima de tensão, e em um dos atores não se verifica o movimento interno que ela pede, pode-se dizer que há uma quebra no ritmo geral da cena.
Durante a realização de algumas de minha cenas em aula, a intenção estava clara, a relação entre os personagens bem instaurada...estava boa até...no entanto faltavam-lhe o ritmo.. faltou-lhe variações ou movimento interno? Creio que variações... Tenho prestado bastante atenção agora sobre a movimentação durante a cena, movimentação do ator, da ação, da emoção, ou, seja, uma certa musicalidade do espetáculo. Na peça “O Inspetor geral”, realizada pelo 4º ano,um exemplo muito bom de cena com todos esses elementos de ritmo é a do criado do “inspetor” arrumando sua cama e demonstrando sua insatisfação e fome: nela o ator variava entre os planos alto e baixo, variava entre momentos cômicos e chorosos, entre sonho e realidade (esperança e desesperança), entre diferentes tons de voz, e essas variações deram uma vida à cena, causando prazer ao ser vista. 

Há de ser uma inspiração.


                               23/06/2010

sábado, 16 de outubro de 2010

Dramaturguia

Durante minha cena com Claucio ocorreram duas coisas importantes, uma relacionada a descoberta interior do personagem, outra com relação a estrutura da cena.

Ao interagir com o personagem dele houve uma inversão de valores entre eles, tanto a descoberta de uma forca interior e coragem do meu, quanto uma fragilidade no dele (valores que aparentemente não existiam). E senti que isso os coloriu de vida, foi para mim o primeiro momento em que a senti total e verdadeiramente, seu medo, sua historia, sua coragem. Eu, a atriz, me emocionei muito ao vê-lo (o personagem do Claucio)  desmoronar de uma suposta rudeza inabalável, e a personagem criada por mim, Alice, também se emocionou ao vivenciar a doença a partir da reacao do outro, para dai sentir a primeira faisca de coragem em assumir sua situação. (Descobertas em via de mão dupla e concomitantemente!)

A estrutura dramaturgica criada pelo Claucio foi o impulso para a qualidade da cena. A maneira em que foram dispostos os fatos contribuíram para que o objetivo fosse a acao dos personagens e não sua demonstração psicológica. Ao coloca-los em estado de atenção para a acao (o exterior | visível) podemos (eu e o Claucio) experimentar as reacoes (adaptacoes) deles perante os problemas | conflitos e consequentemente para senti-los mais vivos, tornando-os seres VIVENTES, DOTADOS DE ACOES, enfim, TEATRAIS.

                                               Processo de criação - Improvisação a palavra 1

                                                                              25\ 05\ 2010      


sexta-feira, 15 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A respiração.

    A respiração tem funções em cena que vão além de manter a energia das células, nos mantendo em atividade e de auxiliar na produção e qualidade de som da voz. Ela pode auxiliar o ator na intenção sentida (para o ator) e transmitida (para o público) de um determinado movimento, como um estímulo para esse: há diferença entre realizar um determinado movimento/ação expirando ou inspirando, que pode diferenciar um estado de maior relaxamento ou tensão, de sentimento liberado ou contido, de uma imagem de leveza ou rudeza.
Auxiliando o ator em sua própria percepção, sensibilizando-o para a partir daí alcançar o público. A maior consciência disso ocorreu-me durante o exercício da estátua, onde observando o meu colega realizar a sua sequência de movimentos (que tinham que ser femininos) notei que por mais leve que ele fizesse certo movimento,havia muita de sua masculinidade no movimento; então ao fazê-lo inspirar quando parado, movimentando-se expirando chegou-se a uma verdadeira leveza; e na minha movimentação que intercalava momentos de tédio e ansiedade, onde eu expirava quando em tédio e inspirava quando em ansiedade, e realmente isso me ajudava a compreender a “cor” do movimento.
    Claro que não há regras, nem uma única possibilidade, mas é importante percebê-la, para que se possa depois experimentar as outras possibilidades/ intenções/ cores que podem ter um mesmo movimento.

domingo, 29 de agosto de 2010

Necessário?

A compreensão de quando se está utilizando artifícios desnecessários em cena, alongando-a demasiadamente. Repetindo elementos, e "enrolando" durante uma ação simples, por exemplo.

O lado bom desse "defeito" da cena desta semana é que ele não ocorreu por medo de não ser entendida, e sim por um intenso prazer de estar em cena, interagindo com a Ju (Juliana Franco), e tentando prolongar esse bem-estar em nós duas e no público. Resultado de uma intensa energia interna.

Chamei a atenção para esse ponto positivo, mas o cuidado com o desnecessário não deve ser abolido, pois se há energia não há necessidade de demoradas demonstrações de um único detalhe (mais uma vez, o estar demonstrativo... até que ponto é ruim? Até o ponto em que passa por cima do espírito de vida do personagem.).


                            (Processo de criação. Aula Improvisação: a palavra.   dia 05/05/2010)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Demonstrativo? Então me mostra.

Demonstrativo.
Eis a problemática da cena. O instante em que o personagem pára de viver para que o ator apenas narre fisicamente o personagem. Em posição de demonstração.
(Claro que isso pode ser válido. Caso seja a proposital intenção épica.)
E esse instante ocorre durante a fala, durante a exteriorização e formulação de palavras. O medo de que a palavra invalide ou confunda o gesto.

                                                        (17/04/2010  - Processo criativo, aula Improvisação: a palavra )


O CORPO NARRATIVO DO ATOR

Poderá o gesto suplantar a palavra em cena? Sim. Poderá então contradizê-la, negá-la? Como usar o corpo para contar uma história?
Tive uma experiência, e foi tão emocional que fica difícil descrevê-la concretamente. Mas percebi algo e fiz um progresso: Consegui ultrapassar a minha dificuldade em atuar sozinha, fazendo dos objetos (imaginários ou não) os meus companheiros de cena.
O gesto como metáfora. As palavras dizendo o que é concretamente, e o corpo transgredindo esse significado, num jogo de ambiguidades e de possibilidades diversas.

                                                                  (19/10/2009 -  Experiência-Oficina O corpo narrativo do ator, realizada por uma docente da UFRJ, na Unesp (Barra Funda)

sábado, 17 de julho de 2010

Por que teatro?

Era uma vez alguém que não levava muito jeito com as coisas do mundo. Então resolveu inventar outros seres que levavam muito jeito. E já não era mais uma vez. Eram várias. Quer vir também?

quarta-feira, 14 de julho de 2010